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Lula, o "Autopen" da República: o debate que escancarou o parlamentarismo sem plebiscito de uma corte

Foto: Divulgação

Opinião

Lula, o "Autopen" da República: o debate que escancarou o parlamentarismo sem plebiscito de uma corte

Perdido, sem propostas e reciclando velhas falácias no debate da Band, o atual presidente confirmou o que os bastidores já sabiam: ele é apenas a caneta automática de uma cúpula judicial que governa o país.

Por Aron Heinrichs · Publicado em 19/10/2026, 08:58 (horário de Brasília) · Atualizado em 19/10/2026, 09:04

O debate presidencial transmitido pela Band neste fim de semana serviu para dissipar qualquer névoa que ainda pairasse sobre o real estado de comando do país. O que o Brasil assistiu em rede nacional não foi o embate de um líder político defendendo um projeto de nação, mas a exibição melancólica de um porta-voz desconexo. Ignorando regras de tempo, disparando números aleatórios e recorrendo a artifícios retóricos sem o menor lastro na realidade, Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que não há propostas novas. O que sobrou foi o mesmo roteiro requentado das gestões Lula 1, 2, 3 e Dilma 1 e 2 — uma era que fracassou na entrega de soluções estruturais e que só obteve "êxito" na consolidação de um projeto de corrupção sistêmica e aparelhamento do Estado.

O desempenho pífio no palanque televisivo consolida uma metáfora cruel, mas cirurgicamente precisa:

Lula tornou-se o autopen do Brasil. Assim como a máquina assinadora automática utilizada nos Estados Unidos — frequentemente associada ao atual estado cognitivo e político de Joe Biden —, o mandatário brasileiro ocupa a cadeira não para governar, mas para chancelar decisões tomadas em outros gabinetes.

A pergunta que se impõe é: quem está segurando a caneta? A resposta reside do outro lado da Praça dos Três Poderes.

Resgatado da prisão por manobras processuais controversas e alçado novamente ao poder, o atual presidente cumpre o papel para o qual foi politicamente reabilitado por uma ala aparelhada do Supremo Tribunal Federal (STF). Para críticos e observadores atentos da nossa ruína institucional, a Suprema Corte instaurou no Brasil um bizarro "parlamentarismo sem plebiscito". Sem precisarem disputar um único voto popular, membros dessa cúpula judicial legislam, executam, censuram e governam, utilizando a figura fragilizada do Executivo apenas como um autopen de luxo para legitimar a tomada da República.

No entanto, o nervosismo que hoje exala de Brasília tem um motivo claro: o prazo de validade desse arranjo está expirando. O desespero da ala que aparelhou as instituições decorre da falência pública do seu autopen. A cada aparição pública, a cada debate desastroso, fica mais difícil sustentar a farsa da normalidade democrática.

Eles sabem que o seu parlamentarismo particular está com os dias contados. O mundo está olhando, e a blindagem institucional interna não é mais suficiente. Uma força de escrutínio e justiça que está além das fronteiras de atuação e censura do STF começa a bater à porta, armada com a força da transparência internacional e do clamor popular. É o prenúncio de um redesenho inevitável, uma força capaz de desmantelar o teatro das tesouras e devolver ao Brasil o que lhe foi sequestrado: a harmonia entre os poderes, o império da lei e a verdadeira ordem democrática.