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Exército do lula: TSE suspende e libera canal no whatsapp em horas

canal do exército do lula, administrado por andré janones, foi suspenso e liberado pelo tse em poucas horas. mecanismo combinava controle centralizado e distribuição de missões pelos seguidores.

Por Política O Sulista · Publicado em 11/10/2026, 18:08 (horário de Brasília) · Atualizado em 11/10/2026, 18:39

Exército do lula: TSE suspende e libera canal no whatsapp em horas

Foto: Nelson Almeida / AFP · Origem da imagem

O "Exército do Lula", canal administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), foi alvo de decisões contraditórias do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste domingo (11). O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, suspendeu o canal no WhatsApp a pedido do candidato Flávio Bolsonaro (PL). Poucas horas depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a decisão e autorizou o funcionamento do canal.

O mecanismo do "Exército do Lula" combinava controle centralizado com distribuição de missões pelos próprios inscritos. Somente o administrador publicava no canal. Aos seguidores cabia receber as "missões" e executá-las em outras redes e grupos. Segundo o levantamento anexado à argumentação favorável à suspensão, Janones divulgava uma postagem e orientava a audiência a curtir, comentar, compartilhar e espalhar o endereço pelo WhatsApp.

A disciplina foi explicitada em uma transmissão de 8 de outubro, transcrita no documento: "Comando único. Todo mundo fala a mesma coisa". Em seguida, o deputado cobrava obediência e antecipava a objeção dos participantes: "Ah, Janones, mas aí você tá falando para eu agir igual um robô. Sim, é só 15 dias". Outra orientação era compartilhar antes de assistir ao conteúdo.

O método descrito dispensava a automação tecnológica. As pessoas eram convocadas a cumprir tarefas repetitivas, sob orientação de uma única fonte. É essa combinação de comando, ataques e multiplicação coordenada que sustenta a comparação política com "gabinete do ódio" ou "milícia digital", atribuídas no passado à campanha de Jair Bolsonaro (PL).

Análise do canal revela comando único e compartilhamentos em massa

O monitoramento apresentado no dossiê, referente ao período de 8 de setembro a 11 de outubro, contabiliza 1.156 mensagens, 214 áudios e 33 vídeos. Aponta ainda 199 ordens à "tropa" e 8,4 milhões de encaminhamentos. São números do levantamento que defende a suspensão, não uma auditoria independente; encaminhamentos e reproduções também não correspondem a pessoas únicas.

A expansão aumentou o alcance potencial das instruções: segundo o documento, o canal passou de aproximadamente 53 mil inscritos, em 5 de outubro, para 3,33 milhões no dia 11. O objetivo declarado era transportar a disputa para conversas e grupos: "O segredo é o WhatsApp. Fura bolha é no WhatsApp", afirmou Janones na transmissão reproduzida pelo levantamento.

Segundo nota da equipe de Flávio Bolsonaro, em vídeo de 10 de setembro Janones também ensinou a apresentar versões diferentes de um acontecimento e divulgar seletivamente uma decisão judicial, destacando o trecho conveniente à narrativa. A campanha atribui ao deputado a justificativa: "É isso que eu chamo de versão dos fatos, não é uma mentira".

Entre os exemplos relacionados no material estão alegações de que Janones orientava os seguidores a criar perfis falsos e a usar técnicas de manipulação para aumentar o engajamento nas redes sociais. Essas práticas, se comprovadas, podem configurar violações das regras eleitorais e da legislação de proteção de dados.

O TSE ainda não se manifestou sobre a decisão de Villas Bôas Cueva. A suspensão inicial foi baseada em denúncias de que o canal estava sendo usado para coordenar ataques e disseminação de informações falsas. A liberação do canal, por sua vez, foi justificada pela necessidade de garantir a liberdade de expressão e o direito de manifestação dos cidadãos.

A controvérsia reflete a tensão entre a regulamentação das redes sociais durante as eleições e a proteção dos direitos fundamentais. O caso do "Exército do Lula" pode estabelecer precedentes importantes para a atuação do TSE em eleições futuras.